É um dos polos industriais mais dinâmicos e competitivos do Brasil e realizou uma missão empresarial na Espanha | Baixar apresentação
A Fundação Conselho Espanha-Brasil recebeu em Madri a visita de uma delegação da FIESC, no âmbito da missão empresarial Espanha x SC realizada entre 17 e 23 de abril de 2026. O encontro teve como objetivo explorar as oportunidades de cooperação e investimento entre a Espanha e Santa Catarina, além de conhecer de perto o perfil econômico e industrial de um dos estados mais competitivos do Brasil. O evento foi inaugurado por Jordi Colgan, Diretor-Geral de Diplomacia Econômica do Ministério das Relações Exteriores, União Europeia e Cooperação, que contextualizou o excelente momento bilateral entre Espanha e Brasil, materializado na recente cúpula em Barcelona entre os presidentes Lula da Silva e Pedro Sánchez, e na assinatura de diversos documentos de cooperação intergovernamental.
A delegação de Santa Catarina foi liderada por Gilberto Seleme, presidente da FIESC, acompanhado por André Armin Odebrecht, primeiro vice-presidente e vice-presidente de Inovação da FIESC; Daniel José Tenconi, superintendente do SESI DR/SC e diretor de Gestão de Pessoas da FIESC; Paulo Arthur Machado Koerich, gerente executivo de Relações Internacionais da FIESC e responsável pela internacionalização industrial e pela diplomacia empresarial; e Alexandre Bolson, representante da delegação empresarial catarinense.
A Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina é a instituição representativa do setor industrial do estado, afiliada à Confederação Nacional da Indústria (CNI). Por meio de suas quatro entidades — SESI, SENAI, IEL e CIESC — trabalha para promover um ambiente institucional favorável ao investimento e à produção, melhorar a qualidade de vida e a educação dos trabalhadores e fomentar a tecnologia e a inovação. Seu tecido industrial compreende mais de 60 mil empresas que empregam mais de 800 mil trabalhadores e representam um terço do PIB do estado. A FIESC conta com mais de 12 mil colaboradores e tem como objetivo central aumentar a competitividade dos segmentos industriais já consolidados.
Apresentação de Santa Catarina: perfil econômico e industrial
O presidente Gilberto Seleme apresentou os principais indicadores de Santa Catarina, estado localizado no sul do Brasil, que se destaca por seus índices econômicos e sociais notavelmente superiores à média nacional. O diagnóstico inicial de Seleme situou o contexto geopolítico como detonador de um novo impulso de abertura: a pandemia e as políticas tarifárias de Trump representaram um duro choque de realidade que acelerou a assinatura do Acordo UE-Mercosul, que ele qualificou como a materialização de décadas de negociações. Nesse contexto, destacou que, para o Brasil, a Espanha é o principal país europeu de entrada no continente, graças à afinidade cultural e linguística e à coincidência de objetivos em infraestrutura, meio ambiente e energia.
Os dados apresentados na sessão refletem o posicionamento singular do estado:
▪️ Emprego: taxa de desemprego de 2,2% no quarto trimestre de 2025, a mais baixa de todo o Brasil. Em janeiro-fevereiro de 2026 foram criados 23.956 novos empregos no setor industrial. A taxa de informalidade também é a mais baixa do país, com 25,7%.
▪️ Indústria: a indústria representa 28,7% do PIB estadual, com Santa Catarina na segunda posição nacional em participação da indústria de transformação (22,8%), atrás apenas do Amazonas. O Valor Adicionado Bruto (VAB) industrial chega a 25,6 bilhões de dólares (6º do Brasil), e o VAB industrial per capita é o 2º mais alto do país, com 3.200 dólares.
▪️ Capital humano e inovação: Santa Catarina ocupa o 1º lugar nacional em capital humano e o 2º em preço médio de produtos exportados entre as principais províncias exportadoras.
▪️ Competitividade territorial: o estado ocupa o 2º lugar no Ranking de Competitividade dos Estados do Brasil (2025). Florianópolis lidera o ranking dos municípios mais competitivos do país (2025). Duas de suas cidades — Florianópolis (2ª) e Joinville (3ª) — figuram entre as três melhores do país para empreender.
Infraestrutura portuária e comércio exterior
Santa Catarina conta com um sistema portuário de primeira linha que o transforma em uma plataforma logística de referência para o Brasil. O complexo portuário do estado ocupa o 2º lugar nacional em movimentação de TEUs (498.200 em janeiro-fevereiro de 2026), com os portos de Itapoá (4º do país) e Itajaí (2º) como os mais relevantes. O estado conta ainda com uma densa rede de rodovias federais e com as ferrovias Rumo Malha Sul e Ferrovia Teresa Cristina.
Em termos de comércio exterior, Santa Catarina exportou em 2025 um total de 12,2 bilhões de dólares, tendo a Europa como principal destino (15%), seguida pelos Estados Unidos (12,1%), China (9,9%) e Argentina (7,3%). As importações, por sua vez, alcançaram 34 bilhões de dólares, com a China como principal origem (42,6%), seguida da Europa (17,2%).
Na relação bilateral com a Espanha, o intercâmbio no primeiro trimestre de 2026 situou-se em 32,70 milhões de dólares em exportações de Santa Catarina para a Espanha — com produtos florestais como principal categoria (32,1%), seguidos por carne de frango, madeira serrada e motores elétricos —, e 80,35 milhões de dólares em importações provenientes da Espanha, lideradas por azeite puro, pigmentos, carbonatos, maquiagem e medicamentos embalados.
A apresentação identificou três grandes oportunidades de expansão comercial para Santa Catarina no mercado espanhol: autopeças (a Espanha importa 14,1 bilhões de dólares anuais, com participação do Brasil de apenas 0,3%); carnes e preparados cárneos (1,5 bilhão de dólares em importações espanholas, com margem de expansão em carne suína, peru, conservas e pescado); e madeira (4,4 bilhões de dólares, com potencial em eucalipto, painéis e madeira perfilada).
O Sistema FIESC: educação, saúde e tecnologia
Uma parte substancial da apresentação foi dedicada à estrutura de serviços do Sistema FIESC, que abrange quatro dimensões de atuação: representação industrial, saúde e segurança do trabalho, educação e tecnologia e inovação.
Na área da educação, o sistema administra 43 escolas de educação básica, 56 unidades de educação profissional, 14 unidades móveis, 5 campi do UniSENAI e 1 Academia de Negócios, com um total de 245.300 matrículas em 2025. O modelo educacional aplica a metodologia STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática) e estende seus programas à rede pública, alcançando 120 municípios em 2025, frente aos 91 de 2024.
Em saúde e segurança do trabalho, o sistema conta com 41 unidades de saúde ocupacional, 40 unidades móveis, 119 unidades de alimentação e 79 farmácias SESI. Em 2025, atendeu 657.700 trabalhadores de 12.200 empresas com 592.000 procedimentos, além de 325.300 atendimentos mensais em farmácia.
Em tecnologia e inovação, o sistema dispõe de 3 Institutos de Inovação e 6 Institutos de Tecnologia do SENAI, com especialização por territórios e setores: mobilidade elétrica e energias renováveis (Jaraguá do Sul), madeira e móveis (São Bento do Sul), sistemas de manufatura e processamento a laser (Joinville), sistemas embarcados (Florianópolis), cerâmica (Criciúma), alimentos e bebidas (Chapecó) e têxtil e confecção (Blumenau). Em 2025, o sistema mobilizou 134,8 milhões de dólares em projetos de pesquisa e inovação industrial, com 105 projetos de grande porte, 139 indústrias envolvidas, 94.100 horas de consultoria e 801.100 ensaios metrológicos.
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