A Fundação Conselho Espanha-Brasil reúne-se com uma delegação empresarial do estado de Santa Catarina

A Fundação Conselho Espanha-Brasil reúne-se com uma delegação empresarial do estado de Santa Catarina

21.04.2026

É um dos polos industriais mais dinâmicos e competitivos do Brasil e realizou uma missão empresarial na Espanha | Baixar apresentação

Etiquetas Actividad FCEB

A Fundação Conselho Espanha-Brasil recebeu em Madri a visita de uma delegação da FIESC, no âmbito da missão empresarial Espanha x SC realizada entre 17 e 23 de abril de 2026. O encontro teve como objetivo explorar as oportunidades de cooperação e investimento entre a Espanha e Santa Catarina, além de conhecer de perto o perfil econômico e industrial de um dos estados mais competitivos do Brasil. O evento foi inaugurado por Jordi Colgan, Diretor-Geral de Diplomacia Econômica do Ministério das Relações Exteriores, União Europeia e Cooperação, que contextualizou o excelente momento bilateral entre Espanha e Brasil, materializado na recente cúpula em Barcelona entre os presidentes Lula da Silva e Pedro Sánchez, e na assinatura de diversos documentos de cooperação intergovernamental.

A delegação de Santa Catarina foi liderada por Gilberto Seleme, presidente da FIESC, acompanhado por André Armin Odebrecht, primeiro vice-presidente e vice-presidente de Inovação da FIESC; Daniel José Tenconi, superintendente do SESI DR/SC e diretor de Gestão de Pessoas da FIESC; Paulo Arthur Machado Koerich, gerente executivo de Relações Internacionais da FIESC e responsável pela internacionalização industrial e pela diplomacia empresarial; e Alexandre Bolson, representante da delegação empresarial catarinense.

A Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina é a instituição representativa do setor industrial do estado, afiliada à Confederação Nacional da Indústria (CNI). Por meio de suas quatro entidades — SESI, SENAI, IEL e CIESC — trabalha para promover um ambiente institucional favorável ao investimento e à produção, melhorar a qualidade de vida e a educação dos trabalhadores e fomentar a tecnologia e a inovação. Seu tecido industrial compreende mais de 60 mil empresas que empregam mais de 800 mil trabalhadores e representam um terço do PIB do estado. A FIESC conta com mais de 12 mil colaboradores e tem como objetivo central aumentar a competitividade dos segmentos industriais já consolidados.

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Apresentação de Santa Catarina: perfil econômico e industrial

O presidente Gilberto Seleme apresentou os principais indicadores de Santa Catarina, estado localizado no sul do Brasil, que se destaca por seus índices econômicos e sociais notavelmente superiores à média nacional. O diagnóstico inicial de Seleme situou o contexto geopolítico como detonador de um novo impulso de abertura: a pandemia e as políticas tarifárias de Trump representaram um duro choque de realidade que acelerou a assinatura do Acordo UE-Mercosul, que ele qualificou como a materialização de décadas de negociações. Nesse contexto, destacou que, para o Brasil, a Espanha é o principal país europeu de entrada no continente, graças à afinidade cultural e linguística e à coincidência de objetivos em infraestrutura, meio ambiente e energia.

Os dados apresentados na sessão refletem o posicionamento singular do estado:

▪️ Emprego: taxa de desemprego de 2,2% no quarto trimestre de 2025, a mais baixa de todo o Brasil. Em janeiro-fevereiro de 2026 foram criados 23.956 novos empregos no setor industrial. A taxa de informalidade também é a mais baixa do país, com 25,7%.

▪️ Indústria: a indústria representa 28,7% do PIB estadual, com Santa Catarina na segunda posição nacional em participação da indústria de transformação (22,8%), atrás apenas do Amazonas. O Valor Adicionado Bruto (VAB) industrial chega a 25,6 bilhões de dólares (6º do Brasil), e o VAB industrial per capita é o 2º mais alto do país, com 3.200 dólares.

▪️ Capital humano e inovação: Santa Catarina ocupa o 1º lugar nacional em capital humano e o 2º em preço médio de produtos exportados entre as principais províncias exportadoras.

▪️ Competitividade territorial: o estado ocupa o 2º lugar no Ranking de Competitividade dos Estados do Brasil (2025). Florianópolis lidera o ranking dos municípios mais competitivos do país (2025). Duas de suas cidades — Florianópolis (2ª) e Joinville (3ª) — figuram entre as três melhores do país para empreender.


Infraestrutura portuária e comércio exterior

Santa Catarina conta com um sistema portuário de primeira linha que o transforma em uma plataforma logística de referência para o Brasil. O complexo portuário do estado ocupa o 2º lugar nacional em movimentação de TEUs (498.200 em janeiro-fevereiro de 2026), com os portos de Itapoá (4º do país) e Itajaí (2º) como os mais relevantes. O estado conta ainda com uma densa rede de rodovias federais e com as ferrovias Rumo Malha Sul e Ferrovia Teresa Cristina.

Em termos de comércio exterior, Santa Catarina exportou em 2025 um total de 12,2 bilhões de dólares, tendo a Europa como principal destino (15%), seguida pelos Estados Unidos (12,1%), China (9,9%) e Argentina (7,3%). As importações, por sua vez, alcançaram 34 bilhões de dólares, com a China como principal origem (42,6%), seguida da Europa (17,2%).

Na relação bilateral com a Espanha, o intercâmbio no primeiro trimestre de 2026 situou-se em 32,70 milhões de dólares em exportações de Santa Catarina para a Espanha — com produtos florestais como principal categoria (32,1%), seguidos por carne de frango, madeira serrada e motores elétricos —, e 80,35 milhões de dólares em importações provenientes da Espanha, lideradas por azeite puro, pigmentos, carbonatos, maquiagem e medicamentos embalados.

A apresentação identificou três grandes oportunidades de expansão comercial para Santa Catarina no mercado espanhol: autopeças (a Espanha importa 14,1 bilhões de dólares anuais, com participação do Brasil de apenas 0,3%); carnes e preparados cárneos (1,5 bilhão de dólares em importações espanholas, com margem de expansão em carne suína, peru, conservas e pescado); e madeira (4,4 bilhões de dólares, com potencial em eucalipto, painéis e madeira perfilada).


O Sistema FIESC: educação, saúde e tecnologia

Uma parte substancial da apresentação foi dedicada à estrutura de serviços do Sistema FIESC, que abrange quatro dimensões de atuação: representação industrial, saúde e segurança do trabalho, educação e tecnologia e inovação.

Na área da educação, o sistema administra 43 escolas de educação básica, 56 unidades de educação profissional, 14 unidades móveis, 5 campi do UniSENAI e 1 Academia de Negócios, com um total de 245.300 matrículas em 2025. O modelo educacional aplica a metodologia STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática) e estende seus programas à rede pública, alcançando 120 municípios em 2025, frente aos 91 de 2024.

Em saúde e segurança do trabalho, o sistema conta com 41 unidades de saúde ocupacional, 40 unidades móveis, 119 unidades de alimentação e 79 farmácias SESI. Em 2025, atendeu 657.700 trabalhadores de 12.200 empresas com 592.000 procedimentos, além de 325.300 atendimentos mensais em farmácia.

Em tecnologia e inovação, o sistema dispõe de 3 Institutos de Inovação e 6 Institutos de Tecnologia do SENAI, com especialização por territórios e setores: mobilidade elétrica e energias renováveis (Jaraguá do Sul), madeira e móveis (São Bento do Sul), sistemas de manufatura e processamento a laser (Joinville), sistemas embarcados (Florianópolis), cerâmica (Criciúma), alimentos e bebidas (Chapecó) e têxtil e confecção (Blumenau). Em 2025, o sistema mobilizou 134,8 milhões de dólares em projetos de pesquisa e inovação industrial, com 105 projetos de grande porte, 139 indústrias envolvidas, 94.100 horas de consultoria e 801.100 ensaios metrológicos.

Entre os projetos de inovação mais destacados estão: o Nanossatélite VCUB1 (primeiro nanossatélite 100% brasileiro), a Constelação Catarina (frota de nanossatélites para monitoramento meteorológico), o Robô Annelida (para desobstrução de dutos no pré-sal), a Boia Bravo (medição do vento offshore) e vários projetos em hidrogênio verde, manufatura aditiva e robótica avançada para manutenção em plataformas offshore.

O sistema conta ainda com o programa INTERCOMP (International Competitiveness), voltado para a internacionalização industrial, que abrange defesa de interesses, inteligência de negócios, promoção empresarial, programas de internacionalização, certificados de exportação, capacitação e serviços receptivos para delegações estrangeiras.

Alexandre Bolson complementou a apresentação com uma reflexão que sintetiza a proposta de valor de Santa Catarina para o investidor espanhol: dentro do Brasil há muitos Brasis, e Santa Catarina oferece uma estabilidade que outros estados não podem garantir. Destacou seus elevados índices de segurança como um fator diferencial que aumenta a capacidade de gerar negócios e reiterou o posicionamento do estado como a principal porta de entrada da Espanha no Brasil: economia mais formalizada, capital humano de maior qualificação, infraestrutura portuária de primeira linha e tecido empresarial consolidado.


Capacidades e interesses das empresas do Patronato da FCEB

Após a apresentação da FIESC, os representantes das empresas patronas da Fundação Conselho Espanha-Brasil tomaram a palavra para expor suas capacidades e interesses na região.

Guillermo de Echevarría Ruiz-Oriol, representante da Iberdrola na reunião, apresentou seu perfil como a maior utility da Europa e a segunda do mundo, presente em mais de 20 países, com 100 milhões de clientes e 60 GW de potência instalada, sendo 80% de origem renovável. No Brasil, opera por meio da Neoenergia, com 45 milhões de clientes e 4 GW de potência instalada (98% renovável), sendo a principal empresa distribuidora do país e o 4º mercado global da companhia. Os investimentos aumentaram 70% graças à alta segurança jurídica do ambiente. Em Santa Catarina, identificam-se oportunidades de comercialização com clientes e de intercâmbio de conhecimento. Também destacou a necessidade de enfrentar o desafio das redes elétricas e da transição energética com um investimento global de 50 bilhões de euros, dos quais dois terços seriam destinados a redes e um terço a renováveis.

Por parte da MAPFRE, interveio Borja de la Torre, que apresentou a companhia como o maior grupo segurador da Espanha e líder na América Latina, com 30 mil empregados, presença em mais de 40 países, mais de 30 milhões de clientes e prêmios de 30 bilhões de euros. Em 2025, bateu seu recorde histórico de lucro, com 1 bilhão de euros. No Brasil — sua operação mais importante fora da Península Ibérica, onde atua por meio do Banco do Brasil — concentra cerca de 10 milhões de clientes, principalmente no setor agroalimentar, e representa 50% dos prêmios da América Latina e 25% do lucro líquido do grupo. A MAPFRE também opera com um critério de integração local, apostando em empresas já consolidadas no mercado brasileiro.

O representante do Banco Santander, Leandro Villarreal, destacou a função do Grupo como serviço de conexão para suas multinacionais, com uma suíte completa de produtos financeiros estendida a 13 mercados, e reafirmou que o Brasil é o mercado mais importante do grupo na América Latina.


Avaliação do Ministério das Relações Exteriores, União Europeia e Cooperação

Juntamente com o Secretário-Geral da FCEB, o Embajador Rafael Garranzo, encerrou o encontro o Diretor-Geral de Diplomacia Econômica, Jordi Colgan, que resumiu os elementos mais relevantes da apresentação. Destacou de forma muito positiva os dados de emprego de Santa Catarina — especialmente a taxa de desemprego de 2,2% e a concentração de 30% do emprego na indústria —, a rede portuária e o posicionamento explícito do estado como porta de entrada do Brasil para a Espanha. Ressaltou a importância do Acordo UE-Mercosul por seu impacto na competitividade e a baixa conflitualidade entre empresas dos dois países como sinal objetivo das condições para o investimento. Sublinhou o papel estratégico que o Brasil atribui às empresas espanholas — que lhes conferem escala internacional — e anunciou que o Ministério, juntamente com a Embaixada da Espanha no Brasil, realizará um acompanhamento ativo das oportunidades identificadas durante o encontro.


Conclusões

O encontro com a FIESC confirmou o potencial de Santa Catarina como território de referência para a expansão das empresas espanholas no Brasil, para além dos grandes centros tradicionais como São Paulo e Rio de Janeiro. O estado oferece uma combinação dificilmente replicável na região: estabilidade institucional, alta qualificação profissional, infraestrutura logística de primeiro nível, tecido industrial diversificado e com forte capacidade de inovação, além de um ambiente de negócios entre os mais competitivos do Brasil.

Para a Fundação Conselho Espanha-Brasil, este tipo de encontro reforça a importância de ampliar a dimensão territorial da relação bilateral, incorporando atores subnacionais que são, em muitos casos, os interlocutores mais diretos e concretos para o investimento espanhol. Santa Catarina, com suas capacidades em energias renováveis, indústria de precisão, agroalimentação e tecnologia, se perfila como um parceiro natural para várias das empresas do patronato da Fundação.

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